"Do meu corpo apodrecido irão crescer flores e eu estarei nelas e isso é a eternidade."
Edvard Munch
Vida e morte. Consciência e imaterialidade. Quantos mundos existirão dentro de mim, povoados por células que interagem entre si, sem que eu tenha consciência ou influência nessa interação? Faço eu parte de outros tantos cosmos?
As imagens de manuais de medicina sempre tiveram sobre mim um efeito de arrepio. Talvez pela natural tendência humana de empaticamente projetar sobre nós próprios o que vemos nos outros. A observação de fraturas, lesões, condições anómalas extremas exerceu um efeito mais amplo: o desconforto relativo ao meu corpo, ao que se passa no seu interior, aos seus órgãos.
Ao utilizar imagens de figuras humanas revelando músculos, ossos, órgãos internos, mas retirando-lhes a componente de apreciação meramente científica ou médica, ao colocá-las em cenários, atribuindo-lhes ações e posturas, o resultado é uma exposição de fragilidades íntimas, de poder e magia, de natureza e de sobrenatural, uma visão do interior menos revelável da espécie humana, para além da própria nudez da criação, em que da (de)composição da carne surge terreno fértil para o nascimento de novos seres, de flora e fauna, num sentido de verdadeira vida eterna, de vida pela vida.
Principium mostra assim ligações entre espécies, entre átomos que se cruzam há milhões de anos, partículas que resultam da decomposição e recomposição de toda a vida na Terra, do eterno ciclo de vida e morte.
Desenvolvimento completo Veiga (2016), Principium · Blurb ↗




























