"Love Wave" é um trocadilho apenas possível em inglês, dado que a sua tradução para português será "Onda de Love".
As "Ondas de Love" são ondas sísmicas de superfície, de elevado poder, e são a versão "sólida" das ondas que observamos, por exemplo, à superfície de um lago quando nele deixamos cair uma pedra, formadas a partir do "epicentro" do impacto. Devem o seu nome ao matemático britânico Augustus Edward Hough Love, que em 1911 criou um modelo para a sua representação, no âmbito da teoria da elasticidade. É claro que pretendo associar estas ondas sísmicas, poderosas, destrutivas e simultaneamente criadoras às reações energéticas que associamos ao amor.
Esteticamente, o fascínio das representações simbólicas, herméticas, mágicas – desde o "sagrado coração" ao Claddagh irlandês e ao coração alado do Sufismo Universal – está presente em (quase) todas as peças, apesar dos múltiplos filtros e reinvenções, da criação de novos símbolos, novos hieróglifos. O modelo que escolhi foi claramente influenciado pelas caixas surrealistas, especialmente de Joseph Cornell, herdeiro de uma certa linha do dadaísmo.
São peças simbólicas, coleções de objetos inusitados, antigos e modernos, restos, ferramentas, joias, vidros, pedaços de madeira, montados de acordo com um pensamento que lhes está associado. Cada peça é a materialização de uma intenção, de uma história, e transporta consigo essa carga; contém o símbolo do seu significado e assim se transforma num novo ideograma.
Estas "intenções" são, na verdade, pensamentos, frases, ideias de muitos pensadores, filósofos, homens e mulheres de todas as nacionalidades, épocas e credos, que contribuíram para a sua própria "Love Wave", e a quem presto a minha homenagem.





























