DIGITALAB 0.1 | SER-GENERATIVO. Galeria Tratuário, Rua da Carreira 119, Funchal, de 25 de julho a 13 de setembro de 2024. Curadoria de Hernando Urrutia.
SER-GENERATIVO
As obras de arte generativa de Pedro Alves da Veiga - arte criada com código, usando algoritmos que determinam as transformações através de variadas técnicas computacionais - procura, além da codificação artística através de programação, afetar o âmbito da criação, modificado constantemente pela retroalimentação originada na experimentação, ajustando os sistemas para produzir novas versões de cada narrativa.
As narrativas generativas nestas obras estão baseadas concetualmente no SER e nas diferentes formas de conexão, sejam elas internas ou externas, pelo que nas suas obras é focalizada a importância do SER interno, em conexão com a alma, a mente e o corpo e o SER externo, em ligação com os outros, com o espaço, com a sociedade. Com as suas narrativas generativas, novas formas experimentais de arte digital, ele explora a criação artística e discursiva contemporânea por via da linguagem digital computacional dos novos media. Elas potenciam a interligação do SER humano com as experiências cambiantes da sociedade contemporânea, e também as relações entre o pensamento e a ação, entre a criatividade e a inovação do SER humano, que tudo pode gerar. SER-GENERATIVO é uma exposição que vem desde o SER para o SER, materializando-se em obras atravessadas pela tecnologia, pela estética digital, com um caráter estimulante, envolvendo distintos media digitais, e que propõem reflexões constantes.
SER-GENERATIVO apresenta na sua génese, um renascimento do SER, gerado também a partir de processos generativos. Pedro Alves da Veiga, enquanto criador contemporâneo, assume os media do seu tempo, como explica Machado (2007, p. 10): "Se toda arte é feita com os meios de seu tempo, as artes eletrônicas representam a expressão mais avançada da criação artística atual e aquela que melhor exprime sensibilidades e saberes do homem da virada do terceiro milênio". Assumimos, portanto, este artista como um criador do terceiro milénio, da inquietação, que utiliza as diferentes áreas da sua criação para expandir o seu legado como dinamizador de novas narrativas artísticas a partir da concetualização, da palavra, da ideia, da geração de conhecimento que a arte contemporânea nos permite, das variadas formas de propagação e produção do pensamento contemporâneo na livre criação da mente humana - porque a criação contemporânea, como ato em si, é arte atravessada pelo pensamento.
Como afirma Gilles Deleuze na sua conferência "O que é o ato de criação?" (1987) "... existe uma afinidade fundamental entre a obra de arte e o ato de resistência. Isto sim. Ela tem algo a ver com a informação e a comunicação a título de ato de resistência."
A arte contemporânea está associada a tudo o que é radical, inquietante, onde se estabelece um diálogo que nos leva à reflexão, ao aprofundamento do pensamento, que é uma das suas melhores qualidades, como refere (Barbosa, A. Mae. 2006): "A criação de arte contemporânea preocupa-se em estabelecer um diálogo com o público e fazê-lo pensar", o pensamento permite a reflexão e é uma condição "sine qua non" do homem evoluído, condição sem a qual não pode haver uma verdadeira evolução do ser humano. Como diz Victor Hugo, "O pensamento é mais do que um direito, é a própria respiração do homem", que o apresenta (Robb. Graham, 1999).
Por isso, situamos Pedro Alves da Veiga como um criador contemporâneo, disseminador do pensamento e da resistência, um artivista "que reflete sobre a experiência do sujeito no mundo em que vive e oferece diferentes formas de explicar o ambiente em que o sujeito e a obra estão imersos", como refere Giannetti (2006, p. 69).
No seu projeto expositivo SER-GENERATIVO, o artista procura com a sua investigação, não só gerar novas narrativas de estéticas digitais no processo generativo, como SER gerador de conhecimentos que, por sua vez, se dispõem a incitar novos olhares, que buscam gerar debates sobre problemas associados à subjetividade, consciência e à construção da cultura na nossa sociedade, como parte de uma geração que procura a mudança na perspetiva de uma evolução do SER humano.
Hernando Urrutia
Investigador do CIAC
Professor de Multimédia e Artes do DAMG da Universidade Portucalense
Coordenador de Investigação da Área de Multimédia do CIAUD-UPT
Conferência SER-GENERATIVO, 6 de setembro de 2024
No passado dia 6 de setembro, realizou-se a conferência SER-GENERATIVO na Galeria Tratuário, onde decore a exposição de arte generativa com o mesmo nome. Esta conferência contou com a moderação e intervenção de Hernando o Urrutia, curador da exposição e diretor do projeto DIGITALAB - Laboratório de Estéticas Digitais (Novos Média - Média-Arte Digital) e, ainda, com a participação de Maurício Marques, Presidente do Conselho de Administração da APCA-Agência de Promoção da Cultura Atlântica.
Com uma abordagem à arte generativa, foram apresentadas e discutidas as obras expostas, através de pontos de vista técnicos, estéticos e funcionais, bem como a evolução que muitas das peças registaram em função da presente exposição. O renascimento do SER é o mote, usado como metáfora para os artefactos generativos com narrativas de estética digital, enquanto SER(es) gerador(es) de conhecimento, capaz(es) de incitar novos olhares e gerar debates sobre problemas associados à subjetividade, consciência e à construção da cultura na nossa sociedade, como parte de uma geração que procura a mudança na perspetiva de uma evolução do SER humano.
Na imprensa
- "Ser-generativo" para ver na Galeria Tratuário · DNOTICIAS.PT, 24.07.2024
- Exposição "Ser-Generativo" · Cultura Madeira (Direção Regional da Cultura)
- "SER-GENERATIVO" de Pedro Alves da Veiga · Galeria Tratuário
- "Ser-Generativo" com Pedro Alves da Veiga amanhã na Galeria Tratuário · DNOTICIAS.PT, 05.09.2024















