Pedro Alves da Veiga
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Hello

Obra interativa2019

é uma saudação, um início de ligação, algo que dizemos quando viajamos, chegamos a um lugar e somos recebidos por outras pessoas, e também quando iniciamos um diálogo através dos nossos dispositivos de comunicação.

Os conceitos de comunicação e de transporte têm semelhanças e interseções interessantes.

Os comboios ligam lugares distantes e os dispositivos móveis ligam pessoas distantes. Os comboios transportam a nossa presença física; os dispositivos móveis transportam a nossa presença imaterial.

Mas uma via-férrea também divide territórios, tal como um dispositivo móvel pode separar pessoas que partilham o mesmo lugar, ao permitir-lhes desligarem-se facilmente do meio físico que as rodeia e envolverem-se numa realidade remota (não local, física ou virtual) mediada pela tecnologia. Isto é mais evidente nos transportes públicos, onde os passageiros locais estão muitas vezes absorvidos no uso dos seus dispositivos, em vez de conversarem com os desconhecidos sentados ao seu lado.

Este projeto artístico foi assim construído em torno de dois conceitos principais:

  • uma conversa por mensagens escritas no telemóvel (surreal, à maneira do cadavre exquis), semelhante aos milhões que acontecem diariamente em todo o mundo. Será, contudo, uma conversa bastante difícil de seguir, uma vez que metade estará em tailandês e a outra metade em português. Graficamente, lembrará as plataformas de mensagens mais comuns (Messenger, WhatsApp, iMessage, etc.), para que o público possa identificar-se de imediato com a situação;
  • a inescapável condição humana de produzir sentido correlacionado a partir de estímulos sensoriais diferentes (e sem relação entre si). O projeto usa fotografias de passageiros e paisagens tailandesas transformadas de forma generativa (quebradas, remisturadas) e sons gravados em transportes públicos (comboios suburbanos e metropolitano) em Portugal. Estas gravações captaram por acaso fragmentos de conversas reais durante viagens suburbanas na área de Lisboa, onde os comboios estão cheios não só de cidadãos portugueses, mas também de um número muito significativo de turistas, transformando o áudio numa malha bastante complexa de línguas diferentes.

Imagens de pessoas e paisagens tailandesas, como as que encontraríamos (ou imaginaríamos) numa viagem suburbana, são remisturadas com falhas e interferências de outras realidades – tal como acontece com os nossos próprios comboios de pensamento.

Os sons captados nos comboios suburbanos portugueses e no Metropolitano de Lisboa estão cheios de línguas diferentes – e, paradoxalmente, as conversas em português parecem quase ausentes dessas gravações.

Uma conversa por mensagens em tailandês e português deixará a maioria dos leitores (tailandeses e portugueses) perplexos quanto ao que se passa, a tentar imaginar ou adivinhar do que trata a outra metade (provavelmente ininteligível) da conversa.

Todos estes estímulos se sobrepõem e criam a viagem sensorial de visões e sensações fugazes que vivemos, impulsionadas pelo meio físico imediato, por memórias desencadeadas pelas conversas ou por cenas imaginadas, ou ainda pelas nossas próprias divagações e autoconsciência durante uma viagem suburbana ou urbana.

O fluxo sensorial convida os visitantes a embarcar numa viagem imersiva e interpretativa entre continentes. Ao entrarem e se moverem na sala de projeção, estão já, sem o saberem, a interagir com a instalação, tornando-se ao mesmo tempo "o assunto da conversa", à medida que imagens da sala são captadas e inseridas no fluxo visual, e o "condutor da viagem", porque os seus movimentos controlam o comportamento do sistema (mais movimento na sala implica áudio mais intenso, visuais mais dinâmicos e mais mensagens trocadas).

Esta obra foi desenvolvida no âmbito do projeto de investigação "Cultural Adventures", acolhido pela School of Architecture and Design da King Mongkut's University of Technology Thonburi, na Tailândia, e pelo Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) da Universidade do Algarve, em Portugal.

As conversas com Phanuphong Otto Songkhong tiveram um papel importante nas fases iniciais deste projeto, e os contributos de outros participantes residentes na Tailândia foram também significativos.

Apresentações

Publicações

Sobre a obra
Comunicação em conferência

Veiga, P. A. (2020). Hello, an interactive cinematic generative artwork [Comunicação]. Eleventh International Conference on Computational Creativity, Coimbra.

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APA 7

Veiga, P. A. (2019). Hello [Obra interativa]. https://pedroveiga.com/hello/