Post-Digital City é uma obra de videoarte generativa ambiental, inteiramente codificada em Processing. Retrata o conceito do autor de uma cidade pós-digital, com as suas transformações inevitáveis e constantes a diferentes níveis e velocidades. Assim, o ecrã está dividido em três áreas principais:
(1) A "paisagem urbana", que ocupa a parte central do ecrã, com os seus edifícios em constante mutação, onde o velho cede lugar ao novo, e as tendências arquitetónicas promovem o exibicionismo e a renovação. Mas a decadência também se instala, com casas e espaços públicos abandonados, cujas ruínas colapsam e são cobertas por vegetação, enquanto as áreas verdes são avidamente ocupadas por novas construções inteligentes, anunciadas e compradas online. Observamos estas fusões como muitas vezes acontece quando viajamos de autocarro, elétrico ou comboio e apenas vislumbramos estas imagens de relance.
(2) A "nuvem", pairando sobre a paisagem urbana, com a sua multitude de marcas, serviços, vigilância, recolha de dados e propaganda, dependente de eletrónica cada vez mais complexa e centros de dados. Gravita sobre – e domina – a cidade pós-digital.
(3) As "pessoas", em constante movimento físico pela cidade, utilizando um número cada vez maior de transportes com componente digital, desde trotinetes a táxis e autocarros. Mas as suas mentes também viajam virtualmente, através do uso constante dos seus dispositivos móveis sofisticados, redes sociais e aplicações. Paradoxalmente, as suas reações e emoções parecem tornar-se mais básicas e parametrizadas, ao contrário da crescente complexidade dos algoritmos e serviços que sustentam as suas vidas mundanas.