Esta obra de arte generativa interativa decompõe um stream de vídeo capturado em tempo real pela webcam do computador, para produzir uma composição semelhante a um mosaico, mudando continuamente de tamanho, rotação e velocidade. Ao intercalar o momento atual com fotogramas previamente capturados e guardados, cria uma experiência visual dinâmica que desafia as perceções tradicionais de tempo e espaço. Cada fotograma é calculado como uma descontinuidade espacial, e a sua sequência não garante um mapeamento linear e preciso do tempo, resultando assim num fluxo hipnótico onde a continuidade é interrompida. A composição torna-se uma tapeçaria fluida de fragmentos visuais, refletindo a natureza não linear da memória humana. Tal como as nossas memórias muitas vezes se entrelaçam e sobrepõem, desencadeando recordações de outros tempos e lugares, esta obra esbate as linhas entre o imediato e o recordado, o agora e o então, o espaço que é e o espaço que foi. O resultado é uma representação evocativa da mente humana e do seu fluxo contínuo de ideias, pensamentos e memórias. O espaço dissolve-se no tempo dentro deste mosaico digital, desdobrando-se numa série de momentos interconectados, tal como os fragmentos das nossas reflexões interiores. Esta exploração artística espelha a forma como a nossa consciência navega pelas camadas de experiências passadas, reconfigurando e redefinindo constantemente a nossa compreensão do presente. Ao perturbar o fluxo convencional de tempo e espaço, a obra oferece um comentário sobre a fluidez da perceção humana, encorajando uma contemplação mais profunda das complexidades da memória e da identidade.
Primeira versão (2017)
Captura em tempo real de uma instalação generativa programada em Processing, que usa a entrada de vídeo ao vivo e imagens fixas aleatórias retiradas do mesmo fluxo para gerar um fluxo constante de segmentos de espaço e tempo, presente e passado, captados pela câmara. Só o fluxo importa. Só o fluxo é hipnótico. O espaço dissolve-se no tempo. O tempo deixa de ser linear.