Em G.O.D | Generative Ominous Dataset, retratei um deus movido a dados, alimentado pelo pior que o antropoceno tem para oferecer, enquanto proporcionava estados radiantes de êxtase. Era a minha leitura da IA generativa e da (falta de) ética por trás da maioria das aplicações populares e dos sistemas de texto-para-imagem de acesso público, alimentados por datasets que ignoram os direitos de autor enquanto intoxicam os recém-chegados com hordas de imagens (na maioria) efémeras e sem sentido.
Mal sabia eu que, poucos meses depois, me sentiria compelido a criar uma obra derivada, G.O.D.L.E.S.S., segundo os mesmos princípios fundamentais (isto é, imitando esses sistemas de IA generativa), mas com um dataset ominoso diferente.

G.O.D.L.E.S.S. | G༙྇A༙྇Z༙྇A༙྇ Ominous Dataset: Lawless Evil Systematic Slaughter é movida por um dataset de imagens recolhidas na Internet sobre o genocídio p༙྇a༙྇l༙྇e༙྇s༙྇t༙྇i༙྇n༙྇i༙྇a༙྇n༙྇o em curso. Morte, destruição, protestos, tudo está representado, mas, ao contrário de G.O.D., G.O.D.L.E.S.S. não tem pudor em exibir de forma mais flagrante essas imagens (roubadas).

O seu olho cego espalha-as em rajadas, como explosões, tiros de atiradores ou foguetes, disseminando o mal sob o manto radiante da autojustificação: os belos vermelhos, laranjas e amarelos das explosões mortíferas, os cinzentos apaziguadores dos escombros e da destruição, os tons pastel dos rostos lívidos dos feridos e dos mortos.

G.O.D.L.E.S.S. | G༙྇A༙྇Z༙྇A༙྇ Ominous Dataset: Lawless Evil Systematic Slaughter é silenciosa, tal como G.O.D. O autor espera que a sua contemplação possa suscitar consciência, arrependimento, contrição e a vontade de construir um mundo melhor.