Pedro Alves da Veiga
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BioFlux

Videoarte generativa2024
Imagine um futuro distante em que lhe entregam um disco com uma série de ficheiros fragmentados que contêm as memórias coletivas de uma certa comunidade numa certa área geográfica. Imagine que esses formatos de ficheiro já não são usados nem reconhecidos pelos computadores atuais, e que decide reconstruir os ficheiros por si, sem conhecer a origem nem o conteúdo de cada um.

BioFlux é um fluxo constante de fragmentos narrativos e de vislumbres de reconstruções visuais de memórias, que transforma o espectador num flâneur digital, à deriva pelas memórias de Macau, a recolher fragmentos de conversas e fotografias pessoais.

A obra de videoarte entrelaça estes fragmentos num fluxo contínuo e dinâmico de pensamentos, experiências humanas e recordações interligados, transportando-nos para um multiverso onde (todos) os diferentes desfechos e enredos se podem tornar verdade.

BioFlux recorre a técnicas generativas para explorar e desconstruir narrativas biográficas originais, partindo das transcrições de entrevistas pessoais realizadas no projeto CONTA.ME. BioFlux volta depois a montar estas histórias individuais, reconfigurando-as e entrelaçando-as numa narrativa e numa trama visual fluidas e em constante evolução.

A composição resultante é um fluxo de vídeo vivo, que respira e ultrapassa a narrativa tradicional, oferecendo ao espectador uma viagem contemplativa e surreal – mas profundamente humana – pela natureza multifacetada e interligada da identidade comunitária.

BioFlux convida o público a refletir sobre a complexidade das histórias pessoais e os fios comuns que nos unem, revelando as profundas interdependências da nossa narrativa coletiva.

O primeiro protótipo de BioFlux foi apresentado no First International Symposium on Biographical Narratives in Media and Information Literacy Cities TELL.ME / CONTA.ME, e tinha diferenças significativas em relação à forma agora concluída.

Esteticamente, BioFlux inspira-se na obra de Vieira da Silva e no seu uso de cenas desconstruídas:

Maria Helena Vieira da Silva, Ville au bord de l'eau, 1947

E também nas colagens de polaroides de David Hockney:

David Hockney, Pearblossom Hwy., 11–18th April 1986, #2 (11 a 18 de abril de 1986)


BioFlux foi desenvolvida no contexto do projeto TELL.ME / CONTA.ME, que visa analisar o impacto das narrativas biográficas enquanto instrumentos de afirmação social e de diversidade cultural à luz dos critérios de desenvolvimento humano sustentável em Macau, tendo em conta sobretudo as disposições da Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural. Para tal, será feita uma recolha sistemática de narrativas biográficas, quer integrando material em arquivos existentes, quer através de entrevistas, junto de um grupo significativo de residentes de Macau representativo da sua forte diversidade cultural. Seguir-se-ão o tratamento e a difusão deste material através de vários meios, com a correspondente análise crítica e rigorosa da receção pública.

Este projeto foi desenvolvido com o apoio da Rectoral School da Universidade de São José e da Fundação Macau.

Apresentações

Publicações

Sobre a obra
Artigo em revista

Veiga, P. A. (2025). BioFlux: Collective memory as generative video art through deconstructed biographical narratives. Rotura – Revista de Comunicação, Cultura e Artes, 67–78. https://doi.org/10.34623/2184-8661.2025.tell_me.371

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APA 7

Veiga, P. A. (2024). BioFlux [Videoarte generativa]. https://pedroveiga.com/bioflux/