É curioso constatar como o processo de desenvolvimento tecnológico está tão interligado com o próprio conceito. Eu explico: é normal assumir que o conceito determina o desenvolvimento, havendo assim uma passagem “natural” de influência num sentido, do conceito para o desenvolvimento. Mas a verdade é que as opções tomadas durante o desenvolvimento também afetam o próprio conceito, sobretudo a um nível inconsciente.

No início, o poema de Casimiro de Brito era uma presença quase indissociável do desenvolvimento, chegando a considerar mostrar os vários versos à medida que se progredia na revelação do todo. Depois de identificar seis momentos chave e de os tentar resumir a um conjunto de palavras-chave, relacionando-as com imagens, constato que os símbolos obtidos contêm a essência do nome do poema: o amigo.

As mãos e o toque, os sentidos e o olhar, os segredos guardados no coração das coisas, os sonhos, os frutos da amizade e a morte são, de facto, etapas essenciais dos nossos relacionamentos.

Por outro lado existe ainda um gesto simbólico bastante significativo, que é o de colocar a mão sobre o coração, como expressão de sinceridade, de sentimento, de honestidade.

Encontrei inclusivamente alguma literatura científica sobre este tema e temas relacionados (mãos, toque, coração, energia), pelo que provavelmente a interface será mais uma vez revista para acomodar esta opção: mão sobre coração.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3904064/

https://link.springer.com/article/10.1007/s10339-014-0606-4

https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02640414.2016.1215501

The Energetic Heart: Bioelectromagnetic Communication Within and Between People

The Electricity of Touch: Detection and Measurement of Cardiac Energy Exchange Between People

Um outro tópico interessante – mutual phase locking – é abordado por Ursula K. Le Guin no texto “Telling Is Listening”, do livro “The Wave in the Mind: Talks and Essays on the Writer, the Reader, and the Imagination”:

Any two things that oscillate at about the same interval, if they’re physically near each other, will gradually tend to lock in and pulse at exactly the same interval. Things are lazy. It takes less energy to pulse cooperatively than to pulse in opposition. Physicists call this beautiful, economical laziness mutual phase locking, or entrainment.

All living beings are oscillators. We vibrate. Amoeba or human, we pulse, move rhythmically, change rhythmically; we keep time. You can see it in the amoeba under the microscope, vibrating in frequencies on the atomic, the molecular, the subcellular, and the cellular levels. That constant, delicate, complex throbbing is the process of life itself made visible.

We huge many-celled creatures have to coordinate millions of different oscillation frequencies, and interactions among frequencies, in our bodies and our environment. Most of the coordination is effected by synchronising the pulses, by getting the beats into a master rhythm, by entrainment.

[…]

Like the two pendulums, though through more complex processes, two people together can mutually phase-lock. Successful human relationship involves entrainment — getting in sync. If it doesn’t, the relationship is either uncomfortable or disastrous.

[…]

Consider deliberately sychronised actions like singing, chanting, rowing, marching, dancing, playing music; consider sexual rhythms (courtship and foreplay are devices for getting into sync). Consider how the infant and the mother are linked: the milk comes before the baby cries. Consider the fact that women who live together tend to get onto the same menstrual cycle. We entrain one another all the time.

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